Você pode denunciar crimes de PRECONCEITO RELIGIOSO no Rio de Janeiro

Você sofre agressão, perseguição, coação ou qualquer ameaça por motivo religioso?

Denuncie através do site http://www.policiacivil.rj.gov.br na aba "DENÚNCIA"

Não é preciso se identificar!

A Constituição da República Federativa do Brasil determina, em seu Art. 5º, inciso VI: "É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias"

Seja Cidadão, defendendo seus direitos! Denuncie crimes de preconceito religioso!

Você também é uma vítima da CORRUPÇÃO!
Lembre-se disso nas próximas eleições...

21 agosto 2007

Não é culpa, Mercadante, mas responsabilidade...
O Velhinho estranhou não ter lido réplicas a um artigo de Aloizio Mercadante, publicado no O Globo - uma das mídias da imprensa tida como golpista por ocupantes de cargos do Executivo e pelo PT e afiliados. Mídia terrível essa, tão golpista que permite a publicação de artigos e entrevistas de seus detratores. Que falta de democracia, não é verdade?
Assim, o Velhinho sempre Rabugento, ousa dar um pitaco no assunto, reproduzindo o artigo e inserindo comentários pontuais.
O Globo - 19/08/07 - Página 7
Azande
ALOIZIO MERCADANTE
Evans-Pritchard, no seu clássico “A noção de bruxaria como explicação dos infortúnios”, descreve a sociedade dos Azande, povo africano que explica tragédias com base na noção de bruxaria. Tudo o que ocorre de ruim é, para os Azande, fruto de alguma bruxaria, que precisa ser enfrentada com rituais adequados. Causas físicas são irrelevantes.
Comentário do Velhinho: Essa é uma visão parcial, pequena até, que se pode ter da leitura do livro de Prichard. Outra é a de que Evans-Pritchard procura mostrar que "causas empíricas" e "causas místicas" se complementam, em uma relação de superposição, para gerar uma explicação do infortúnio pela bruxaria. Ou nas próprias palavras do autor "A crença azande na bruxaria não contradiz absolutamente o conhecimento empírico de causa e efeito. O mundo dos sentidos é tão real para eles quanto para nós." (p. 91 [p. 55]). Quem faz uma releitura antropológica interessante é Emerson Giumbelli, que publicou "Os azande e nós: experimento de antropologia simétrica" (Horizontes Antropológicos, Print ISSN 0104-7183, Horiz. antropol. vol.12 no.26 Porto Alegre July/Dec. 2006). Recomendo a leitura, Sr. Mercadante.

Pois bem, setores conservadores da oposição parecem estar se comportando de forma semelhante aos Azande. Entretanto, a noção de bruxaria foi substituída por uma noção metafísica de culpa. Com efeito, parece que tudo o que acontece de ruim no Brasil deve-se não a causas, mas a culpados.
Existe uma busca frenética por culpados, situados, de preferência, no Planalto Central, como se a identificação e punição desses pudesse, como num passe de mágica, resolver os complexos problemas brasileiros. Há, inclusive, aqueles que, dizendo-se cansados, são “contra tudo o que não presta”. Como os Azande, são contra o Mal presente nas coisas. Trata-se, provavelmente, do primeiro movimento político-animista do Brasil.
Comentário do Velhinho: Nem o primeiro, nem o último. Essa mesmíssima prática sempre foi adotada pelo PT e por vários partidos de esquerda, comunistas ou socialistas, como perda fundamental para derrubada de seu arqui-inimigo, o capitalismo.
O grande equívoco, também agora perpetrado pelo Sr. Mercadante, é a atribuição de Culpa. Culpa, caro senhor, somente poderá ser determinada e atribuída através de um processo no Judiciário, desde que tenha havido crime. E a Culpa será determinada em função das responsabilidades.
Essa, na realidade, é a tônica - ou deveria ser - de qualquer crítica ao Governo e a governantes, bem como a representantes eleitos pelo povo a aos partidos políticos. Responsabilidade e não Culpa. Os cargos eletivos em nossa Nação carregam em seu bojo responsabilidades claramente definidas pela Constituição. E os ocupantes desses cargos eletivos DEVEM SER COBRADOS em suas ações e omissões face às responsabilidades inerentes a cada cargo. É tão difícil entender ou aceitar isso?

O traço comum que parece unir a oposição conservadora é a ausência de diagnósticos racionais sobre os problemas e de propostas exeqüíveis para a sua superação. Sempre procuram culpados e não saídas.
Comentário do Velhinho: Essa é a visão do autor, o Sr. Mercadante. Correta diante de sua concepção ideológica, equivocada perante a lógica, uma vez que busca atribuir culpa aos opositores que não são a Situação de Governo. Qual a opção? Ou é a favor, ou é a favor. Ora, por favor...

Mas o Brasil tem hoje uma economia que mudou de patamar e que demanda soluções criativas. Com efeito, crescemos mais de 4% nos últimos três anos e deveremos crescer ao redor de 5% neste ano. A safra agrícola de grãos deve crescer 14%, com 133,4 milhões de toneladas. Somente em julho deste ano foram produzidos 20% a mais de veículos que no mesmo período do ano passado, e a fabricação de caminhões cresceu 32%. As exportações, embasadas numa política externa consistente, saltaram de U$ 60 bilhões para cerca de 160 bilhões em apenas 5 anos.
Destaque-se que tudo isso foi conseguido num cenário macroeconômico que combina inflação baixíssima, distribuição de renda, redução drástica da vulnerabilidade externa, melhora nas finanças públicas e aumento exponencial das reservas cambiais, fato inédito na nossa história econômica.
É essa coerência macroeconômica que tem permitido resposta mais consistente da economia real à crise financeira internacional em curso.
Comentário do Velhinho: O que o Sr. Mercadante não diz é que a política econômica do Governo Lula, desde o primeiro mandato, segue estritamente a linha da gestão de FHC. E que esse crescimento de 4% é considerado pífio diante da economia e crescimento global. E isso não é mera afirmação do Velhinho. Basta acompanhar os índices já exaustivamente publicados pela imprensa. Claro, a imprensa é "golpista", não merece crédito. Sei...

A popularidade de Lula, que surpreende os animistas e os metafísicos, baseia-se nessa economia real e na vida do povo, hoje bem melhores que em passado recente.
Comentário do Velhinho: "animistas e metafísicos" seriam todos os que se opõe ao Governo Lula, pois não? Há que se desqualificar a oposição de maneira que não haja direito de se opor ao que os "donos da verdade" petista impõe. Tenha dó! E "passado recente" quer dizer o que? Pela fala de nosso atual governante, "nunca antes na história desse país", acaba remetendo à chegada de Cabral. O sistema de Saúde continua um caos, Segurança e Transporte nem se fale, Energia está sendo um problema sério. Agora o aparelhamento do Estado vai bem, obrigado. Seria isso a que se referia o autor? Ou às barganhas realizadas pelo Executivo junto ao Congresso?

No entanto, a combinação desse crescimento recente com o baixo investimento em infra-estrutura, que se acumula há 25 anos, vem causando problemas graves. A crise aérea, à parte os problemas de gestão da aviação civil, é também fruto dessa combinação. Nos últimos três anos, o trânsito de passageiros pelas salas de embarque e desembarque aumentou 43,5%. Só no ano passado, houve 102 milhões de embarques e desembarques nos terminais brasileiros.
Esse forte crescimento na demanda deparou-se com uma redução substancial no número nas aeronaves, causada pelas falências de Varig, Vasp e Transbrasil, e com o crônico subinvestimento no setor.
Veio a crise. Mas não são apenas os aeroportos. Os portos estão no limite para dar vazão às exportações crescentes. Os 173 mil quilômetros de estradas, muitos em estado lamentável, não têm como absorver o aumento de veículos. O pior, porém, é o gargalo da energia, que exigirá um esforço brutal para que não se repita o apagão que já conhecemos do passado.
Comentário do Velhinho: Ou seja, desde 1982, nos estertores do Regime Militar. O que o Sr. Mercadante não diz, também, é da responsabilidade de seu partido como partícipe dessa realidade, com representação no Senado durante todos esses anos e no Governo desde 2002. Nem o que foi feito - aliás algo foi feito? - no primeiro mandato do governo Lula para remediar ou minimizar tal situação. E aí está a responsabilidade, não a culpa. Há que se lembrar também, por oportuno, que a crise do Apagão ocorrida no governo FHC foi rapidamente contornada com medidas criativas e viáveis, tanto que superada na ocasião. A grande pergunta é: tem de se esperar a crise se implantar? Nada há a ser feito ANTES pelo atual Governo, além do Fome Zero que não deu certo e da Bolsa-Família que é um placebo?

O PAC é instrumento decisivo para enfrentar tais problemas. Mas não basta. Precisamos debater racionalmente e encontrar saídas para esses e outros entraves que impedem o desenvolvimento acelerado e sustentado.
A construção de alternativas deveria ser a agenda prioritária de todas as correntes políticas. Não podemos nos dar ao luxo de cansar ou nos conformar com a agenda medíocre dos que apenas buscam obsessivamente culpados. Isso não explica nada e não leva a nada. Sequer ganha eleição. Evans-Pritchard nota que os Azande sabem distinguir causas racionais dos infortúnios causados pela bruxaria. Os azande tupiniquins nem isso parecem saber.
Comentário do Velhinho: Sem querer entrar nos detalhes religiosos que dizem respeito a Ejó, às Ajés, aos Ajogun, por exemplo dentro da cultura Yorubá e que estão inseridas no brasileiríssimo Candomblé, foge à percepção do Sr. Mercadante a concepção sistêmica da interação entre a realidade física e a mítica (ou sobrenatural, como queiram). Uma não excluí a outra, para os crentes, são dinâmicas e interagem constantemente para tentar explicar uma realidade maior. Poderia ser assim na política. Situação e Oposição se confrontando, contradizendo, mas ao mesmo tempo se completando, interagindo para um equilíbrio do sistema, sem uma excluir a outra, democraticamente. Porém, é mais fácil a desqualificação do opositor do que a aceitação da oposição. É por essas e outras, por tais tentativas de excluir ao invés de incluir, de tentar reconhecer no outro as próprias deficiências, que se desenvolve o conceito da Culpa.
Mas, se excluirmos essa aberração da ideologia da culpa e vitmização (porque se eles são culpados, nós somos vítimas, não é Sr. Mercadante?), resta a responsabilidade. E responsabilidade, não tem jeito, há que se assumir. Não basta dizer "eu não sabia"...

Nenhum comentário: