Você pode denunciar crimes de PRECONCEITO RELIGIOSO no Rio de Janeiro

Você sofre agressão, perseguição, coação ou qualquer ameaça por motivo religioso?

Denuncie através do site http://www.policiacivil.rj.gov.br na aba "DENÚNCIA"

Não é preciso se identificar!

A Constituição da República Federativa do Brasil determina, em seu Art. 5º, inciso VI: "É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias"

Seja Cidadão, defendendo seus direitos! Denuncie crimes de preconceito religioso!

Você também é uma vítima da CORRUPÇÃO!
Lembre-se disso nas próximas eleições...

22 fevereiro 2007

Iku veio e os transformou em ancestrais...
O Axé de Olodumaré se manifesta incessantemente no movimento da transformação, no nascer e morrer.
Somos o que somos por conta de nossos atos, mas nossa própria existência tem dependência direta com nossa ancestralidade. Um dia nos tornaremos ancestrais para nossa descendência.
Nestes últimos dias duas figuras marcantes, seja para a Umbanda, seja para o Candomblé, se tornaram ancestrais.
Que assim sejam lembrados e amparados na Espiritualidade.
Viemos do barro e ao barro retornaremos...

IKU
Após Oduduwa terminar a criação da terra, por incumbência de Olodumare, já que Oxalá por descumprir os preceitos necessários esteve sonolento. Este despertando, foi a Olorum e recebeu nova tarefa: a de criar os habitantes do novo mundo.
Após estudar qual seria o material mais apropriado para a confecção dos corpos, Oxalá chegou a conclusão de que o barro (amon) seria o melhor dos elementos.
Incumbiu então Exu de pegar esse material, visto que tinha a fama de conseguir tudo o que quisesse. Deu-lhe uma sacola e exu partiu para o Aye.

Tempo depois retorna Exu com a bolsa vazia e indagado por Oxalá declarou que ao tentar retirar a lama, a terra chorou e ele ficando com pena, resolveu voltar deixando que um outro cumprisse a tarefa.
Oxalá então, chamou Ogun a sua presença e dando-lhe a bolsa viu o partir com
grande pressa.
Porém Ogun também voltou com a sacola vazia, explicando que ficara penalizado ao ver que a terra chorava quando tentava arrancar-lhe um pouco de barro.
Um a um Oxalá incumbiu os orixás de tal tarefa, sendo que ao final nenhum teve sucesso, voltando com as mãos vazias.
Finalmente Oxalá chamou Iku ( a morte) e deu-lhe a tarefa.

Iku ao começar a tirar o barro, viu que a terra chorava, mas não se apiedou e continuou a cavar e retornou com a sacola cheia para Oxalá.
Com o material necessário o Orixá fun fun, moldou os corpos e plantou uma árvore para cada um, para dar continuidade ao processo de respiração insuflado por Olodumare.
E disse a Iku que como fora ele quem retirara o material da terra, a ele caberia devolver em qualquer época que julgasse necessário, o material
primordial.
Por isso é que quando chega o tempo de devolver à terra o material retirado, é Iku quem vem entregar o corpo de volta a terra.
Fonte: Asese - O Reinicio da Vida - Altair T´Ogun


Toy Vodunnon Francelino de Shapanan

O SOUESP pede a palavra,

Salve irmãos e irmãs de fé,
Salve irmãos e irmãs do axé,

No último dia 19 de fevereiro de 2007 nos despedimos de Francelino de Shapanan.
Ícone no diálogo inter-religioso, Pai Francelino trabalhou incansavelmente para o crescimento e fortalecimento da cultura afro-brasileira ,plantando a semente da simpatia e respeito junto a todas as nações,seguimentos religiosos e principalmente junto às outras religiões.
Pai Francelino comandou a Casa das Minas Toya Jarina em Diadema - SP, foi presidente do INTECAB e da Federação dos Cultos Afro-Brasileiros de Diadema.
Peço agô,meus irmãos pois não tenho autoridade suficiente para escrever sobre este grandioso Pai que por vontade suprema nos deixou para viver a outra vida no Orun.Desta maneira compartilho com todos e todas suas próprias palavras publicadas no Informativo Tambor.

Salve,saravá, axé.

Marcelo N.Santos - SOUESP

"No dia 20 de janeiro, o tambor-de-mina reverencia e festeja Toy Lego Babicachu Xapanã., vodum senhor e dono da terra, do panteão de Odan.

Nesse mesmo dia, em 1964, fui iniciado nos mistérios dos voduns mina para essa divindade. Nasci, cresci e fiquei maduro. Tive que renunciar a muitas coisas, sofri humilhações, fui discriminado, mas não perdi minha fé nem traí minha opção religiosa, o tradicional tambor-de-mina.

Os anos foram se passando, e eu sempre tentando melhorar e me superar. Em janeiro de 1974, vim para o sudeste. Procurei ajudar muitos axés a progredirem, mas sempre busquei, antes de mais nada, ser aluno.

Em 1977, deixei o Rio de Janeiro e abri minha casa em São Paulo. Os voduns e encantados foram maravilhosos comigo: só me fizeram avançar. Passei então a me dedicar totalmente ás causas das diversas religiões afro-brasileiras, pensando sempre no plural. Ganhei muitos amigos em todo o Brasil e os tenho até hoje.

Tive a sorte de tem em minha vida criaturas especiais, sacerdotes maravilhosos; Mãe Dida de Ogum, Mãe Joana de Xapanã e Pai Jorge de Abe Manjá, que me guiaram pelos caminhos encantados do tambor e me fizeram prosperar espiritualmente mais e mais.

Em minha casa, fui brindado com vodúnsis fiéis e dedicados, e que continuam até hoje me ajudando muito. Ganhei um Pai pequeno, uma Mãe pequena, uma Mãe criadeira inigualáveis, e outros filhos a quem só tenho a agradecer, e que continuam tocando o nosso tambor-de-mina pelo Brasil afora. Recebi centenas de homenagens, diplomas, condecorações, títulos e Oyê: o de Balogun no Candomblé Keto de Babá Armando Akintundê e o de Arabaitan Nile Egbé Ibualamo no de Babá José Carlos de Ibualamo (keto). Fiz amigos católicos, budistas, islâmicos, espíritas, umbandistas, evangélicos, espiritualistas etc."

“....Sei que não progredi nem fiz nada sozinho. Continuarei pensando sempre no plural...”

Toy Vodunnon Daho Laila Francelino de Shapanan


Valdemiro Baiano.

(por Cléo Martins)

Anteontem levantei-me carregando o peso do mundo. O coração, feito
gangorra, a embalar progressivamente a inexplicável tristeza; o café
tinha gosto de nada. A noite chegou com seus pontos de interrogação.
Liguei o noticiário horrorizando- me com mais mortes; algumas,
durante o carnaval, provocadas por condutores irresponsáveis. As
Minas Gerais bateram o recorde: trinta e nove óbitos em acidentes de
veículos,
nas estradas.

A tevê também mostrou que, no interior mineiro, em Itambé Campo
Adentro,os cidadãos deixam as portas e janelas abertas. O último
crime ocorreu há nove anos; a cadeia jaz às traças, graças ao bom
Deus.

No meio de notícias sobre outra espetacular vitória da Beija Flor de
Nilópolis- a escola que há décadas revolucionara o carnaval- o
telefone disparou a tocar. Era o escritor Ogã Gilberto de Exu,
presidente da International Conference of Orisha and tradition e do
primeiro afoxé de Sampa, nascido em 1980, que abre o desfile das
escolas na terra da garoa.

Senti a solenidade na voz do amigo:a ventania antes do caos.
Compreendi meu sentimento de vazio premonitório ao ser informada da
morte do babalorixá Valdemiro de Xangô, na manhã daquela quarta de
cinzas: o responsável por introduzir no Rio, São Paulo e Curitiba
toda uma tradição cultural ioruba antes apenas vivenciada na Bahia e
Pernambuco.

Os baianos Valdemiro (Valdemiro Costa Pinto, com e, apesar de ser
chamado "Valdomiro") Joãozinho da Goméia e Bobó de Iansã- viraram a
cidade maravilhosa pelo avesso no início da década de 60. Na
condição de sacerdotes do sexo masculino, em um culto
predominantemente liderado por mulheres e, também, carnavalescos
vanguardeiros, compunham o "trio alegria" que, escandalizando
muitos, no carnaval vestia-se de baiana: saia, camisu, bata, torso,
balangandãs.

Valdemiro de Xangô- 77 anos, escuro, alto, rápido, imponente, filho
do finado Cristóvão de Ogum e de Mãe Menininha- foi o mais
importante babalorixá vivo de nossos tempos; situa-se dentre os
principais sacerdotes da diáspora. A trajetória de Valdemiro paira
muito além de dogmas religiosos. Antes de ele mudar-se para o Rio e
São Paulo, no final dos 1960, comida baiana (acarajé, abará,
vatapá,caruru) era ignorada pela maioria dos habitantes e vista com
olhos caipiras de desdém. Depois de Valdemiro- exímio cozinheiro e
pai-de-santo de centenas, talvez de milhares de pessoas- a comida da
Bahia passou a ser mais difundida e devidamente apreciada em todo
sudeste e sul do Brasil. As guloseimas dos terreiros pertencem a
diferentes divindades e fazem parte da religião de matriz iorubá
introduzida em São Paulo, nos referidos 1960, por Diniz de
Osun e
Valdemiro "Baiano". A maioria dos terreiros de São Paulo descendem
deste querido filho de Xangô, mais um porreta nos braços de Deus.
Importante o registro, minha gente, pois a memória patropi é prá lá
de tendenciosa e curtíssima.
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Cléo Martins, a Agbeni Xangô do Axé Opô Afonjá, é advogada e
escritora: agbeni@terra. com.br

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