O faz-de-conta da Educação
58% do eleitorado brasileiro não tem ensino primário
Agência Estado
19:45 11/07
Um imenso batalhão de brasileiros com baixíssima ou nenhuma escolaridade forma a maioria do eleitorado que vai escolher o próximo presidente da República e eleger os componentes do Congresso Nacional e das assembléias legislativas estaduais. Nada menos do que 73,3 milhões de eleitores brasileiros (58,26% do total) não conseguiram sequer completar o ensino primário. Desse contingente, cerca de 8,2 milhões são analfabetos, segundo dados divulgados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
(Para ler a íntegra da matéria, clique aqui)
Na postagem “Ministro da Educação ou da Desinformação”, este Velhinho-Rabugento tentou transparecer o que passa em sua mente sobre a falência do sistema educacional no Brasil e que medidas como as tais cotas (raciais ou sociais) para o nível universitário seriam apenas paliativas, placebos para iludir o doente e tentar se transferir a responsabilidade constitucional do Estado para a Sociedade. Ou, como já fizeram no passado, apenas para os professores, culpados de não se atualizarem e não prestarem, assim, o serviço adequado pelo qual são remunerados de forma régia.
Lendo a matéria acima, lembrei do recente discurso do Sr. Presidente da República, em Contagem (para ver o discurso, clique aqui), onde destacamos os seguintes trechos:
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“Outra coisa, Patrus, que eu queria dizer a você e ao povo de Contagem, é que seria tão fácil e tão mais fácil, meu caro Newton Cardoso, você que foi governador, a gente governar um país, um estado, uma cidade, se a gente tivesse que cuidar só dos pobres. Os pobres, na verdade, não dão trabalho. Por isso é que durante muito tempo eles ficaram esquecidos, porque os pobres não têm dinheiro para ir protestar em Brasília, os pobres não têm dinheiro para alugar ônibus, os pobres, muitas vezes, não estão nos partidos políticos, muitas vezes não entram na universidade. Muitas vezes os mais pobres não vão sequer até o sindicato, eles vão à igreja rezar e pedir ajuda a Deus e, muitas vezes, os governantes não olham para eles porque eles não estão na rua fazendo passeata e fazendo protesto contra os governos.”
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“Então, o que nós estamos fazendo é o primeiro degrau, dando as calorias e as proteínas necessárias às crianças deste país. Elas estão indo à escola, não estão abandonando a escola, 90% das escolas brasileiras estão comunicando ao governo a presença das crianças, o que antes não se fazia. Então, se a criança come e está na escola, já é meio caminho andado para não se desviar na vida.”
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“Sabe por que eles falam isso? Porque para eles, tudo que vai para os pobres é gasto, e para mim, tudo que vai para o pobre é investimento em ser humano, é investimento em gente. E eu vou dizer, meus amigos de Minas Gerais, que se a gente não tiver coragem de fazer o investimento na hora certa para essas crianças comerem e para essas crianças estudarem... tem uma hora para isso. Se a gente não fizer o investimento na hora certa, quando eles estiverem com 18, 19 anos, a gente vai estar fazendo o quê? Aí, sim, gastando dinheiro para contratar policial, gastando dinheiro para fazer cadeia, gastando dinheiro para fazer cela, porque não tivemos coragem de fazer o investimento na hora certa para nossas crianças.”
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“Tem duas coisas que não abrimos mão: é cuidar dos pobres deste país e cuidar da educação. A educação deste país é a única condição pela qual o Brasil deixará de ser um país eternamente emergente e em desenvolvimento para se transformar numa nação desenvolvida. E nós vamos fazer isso. Eu sei que isso precisa de investimento, nós estamos com o Fundeb para ser votado no Congresso Nacional. Desde junho do ano passado que o projeto está no Congresso Nacional, já foi votado na Câmara dos Deputados, agora está lá no Senado para ser votado, e pelas informações que eu recebo parece que tem gente que não quer votar, porque se votar são 4 bilhões e 300 milhões a mais para a educação, e isso poderia beneficiar o governo do presidente Lula.”
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“Certamente, dizia Paulo Freire, não tem criança burra, não tem criança que não seja inteligente, tem criança que come e criança que não come, tem criança que tem oportunidade e criança que não tem oportunidade. Se a criança estiver com a barriguinha cheia e tiver oportunidade de estar numa escola de qualidade, essas crianças todas serão inteligentes e essas crianças todas vencerão na vida.”
Pois bem. Falemos de como é fácil, hoje governar para os pobres que, por não terem acesso à educação, à uma “escola de qualidade” continuam vivendo da ilusão das palavras dos “pais da pátria”, como falava o saudoso Vicente Leporace, no seu programa “O Trabuco”, em minha meninice.
É certo que não é apenas do governo atual a responsabilidade pela falência do sistema educacional no Brasil. A erosão da Educação tem décadas. Mas é de causar espécie que um governante que discursa, alegando não abrir mão de cuidar dos pobres e da educação levante como bandeira o FUNDEP que tramita há um (01) ano sem solução de continuidade!!! Isso é investir na hora certa???
Realmente, qual partido político e seus afiliados que realmente se importam com a Educação?
E como explicar a farta distribuição de verbas represadas até o último ano de mandato?
O que realmente está por trás disso?
Façam um favor a este Velhinho-Rabugento. Vão até as escolas estaduais e municipais de suas cidades e vejam as condições das instalações, os recursos pedagógicos existentes. Conversem com professores, diretores, coordenadores pedagógicos, orientadoras pedagógicas, serventes, cozinheiras, alunos e pais de alunos. Conversem com os representantes dos Conselhos Tutelares. Chequem os relatórios anuais de evasão escolar. Chequem a provável carência de professores. Chequem como é a merenda! Chequem as informações dos Conselhos de Classe.
Depois, de sã consciência, me digam se temos “escolas de qualidade” e o que enche a “barriguinha” de nossas crianças.
Aproveitem para perguntar a cada uma das pessoas com que conversarem se elas estão satisfeitas com o ambiente escolar e com o resultado do ensino. Em especial, perguntem aos professores qual a carga horária que eles tem de cumprir e se eles estão satisfeitos com a sua condição de professor.
Reflitam se com a implantação das tais cotas, os jovens que chegarem a usufruir delas estarão realmente preparados para enfrentar os bancos universitários e vir a se tornar, no futuro, apto para a competitividade cada vez maior do mercado de trabalho.
Por último, revejam os dados acima do TSE.
Quem sabe algum de vocês consiga me convencer que a educação no país, a educação das crianças que dependem da escola pública, vai bem e é a que elas realmente merecem, ou saiam convencidos de que todos esses discursos políticos são meras balelas eleitoreiras.
Este Velhinho-Rabugento ainda não viu um partido político ou um de seus afiliados que se empenhasse em resolver o problema da educação com a seriedade que o tema merece. Tudo é palanque. Nem o show vale a pena assistir.